julho 03, 2004

Obrigado Rui


O Rui Costa é sem dúvida um grande jogador. Destacou-se no Benfica, afirmou-se na Fiorentina e atingiu a glória no Milan. Em todos estes anos sempre marcou as suas posições e reflectiu, em todas as suas intervenções, a sua grandeza, a sua honestidade, a sua sinceridade, a sua integridade…
No Benfica era, e é, um rei. Independentemente do local onde estivesse ou com quem falasse, nunca escondeu o seu Benfiquismo e nunca renegou o Estádio da Luz como sua casa. Nunca esquecerei as lágrimas do Rui Costa quando, pela Fiorentina, marcou no Estádio da Luz, contra o meu, mas também o seu, Benfica. Eliminou o Benfica da Taça Uefa, mas ninguém viu o Rui Costa festejar os golos da sua equipa. Ninguém viu o Rui Costa festejar a passagem na eliminatória. Ninguém viu, sequer, o Rui Costa sorrir… O seu coração estava do outro lado...
Em Florença foi apelidado de príncipe. Apaixonou-se a apaixonou os adeptos “viola”. Tornou-se um ídolo e, mesmo num clube tão pequeno, brilhou. Muitas vezes falado como possível transferência foi ficando. Saiu da Fiorentina quando esta foi à falência. De resto, o Rui parece que nunca deu grande importância ao dinheiro. Saiu do Benfica para ajudar a resolver os grandes problemas financeiros. Deixou a Fiorentina quando já não podia fazer nada pelo clube.
No Milan o Rui Costa voltou a demonstrar que quando se é grande, é-se grande em tudo. Campeão Europeu e Campeão de Itália tem na simplicidade a sua imagem de marca. Com Kaká em grande forma soube ocupar o seu lugar no banco e cada vez que entrava parecia o mesmo Rui Costa de há dez anos. O mesmo que dirigiu a orquestra benfiquista até à conquista do título nacional.
Agora, na selecção, acusado injustamente, esmagou os seus críticos. Qualquer pessoa, na sua situação, teria reagido de outra maneira. Qualquer pessoa teria mandado tudo às malvas e teria ido para casa. Sejamos honestos: para que é que o Rui Costa precisa da selecção? Muitos (aqueles que ainda jogam em Portugal) utilizam a selecção como trampolim. Para se mostrar. No entanto, o Rui Costa já ganhou tudo, já atingiu o auge da sua carreira. Outro teria desistido. Mas não o Rui. Entrou contra a Rússia e marcou. Contra a Inglaterra calou muitos intelectuais da bola e levou-me às lágrimas.
Quem não se lembra do chapéu ao guarda-redes da Irlanda em pleno Estádio da Luz que nos levou ao Euro 96? Quem não se lembra dos magníficos golos que marcou pela selecção? O Rui fez-me chorar muitas vezes. Quase sempre de alegria. Nunca esquecerei o seu desespero aquando da expulsão contra a Alemanha, no apuramento para o Mundial de 98. A sua expressão facial não me sai da memória. O seu desespero, a sua incredulidade reflectia, naquele momento, a tristeza e a desilusão de todos nós. A angústia de todo um povo. O povo a quem Rui Costa tanto queria dar uma alegria. Nunca esquecerei… Rui Costa não é um simples jogador. É um exemplo como pessoa, um ser humano fantástico…
Tantas vezes chorei com os teus golos Rui. O teu estilo inconfundível, a maneira de fintar os adversários, a tua elegância quase que a pedir desculpa por ter de os ultrapassar… Um ser humano enorme. Para mim, és e serás sempre o melhor jogador do mundo. Hoje, mais uma vez, chorei. Não por um golo teu mas pela tua decisão. Ver a selecção jogar sem ti não será a mesma coisa. Chorei, porque recordo tudo aquilo que fizeste e que tantos já esqueceram.
Obrigado, do fundo do coração, por tudo o que fizeste por este país e pelo nosso Benfica. Obrigado…

Escrito por Pires at julho 3, 2004 03:02 PM
Comentários